Ipixuna, 17-18 de Dezembro.

Dezembro 24, 2008

Vista aérea de Ipixuna.

Vista aérea de Ipixuna.

Por não haver mais vôos para Cruzeiro do Sul de Rio Branco no dia 16, tivemos que programar nossa estadia em Ipixuna por apenas uma noite. Chegamos lá as 4 da tarde do dia 17 e tinhamos que sair no dia seguinte as 11 da manhã. Decidimos por  uma estratégia meramente urbana, focando as atividades nos bairros mais carentes da cidade. Deixamos as malas na pousada, e fomos direto a casa dos indios na cidade. Quando vão para Ipíxuna, os indios Kolina ficam nessa casa disponibilizada pela prefeitura. A situação foi bastante chocante: indios consumindo bebidasalcóolicas, quartos escuros e com varias redes penduradas, sem banheiro e nenhum lugar para cozinhar. A atividade de grupo funcionou muito bem, e foram varias as necessidades identificadas. Mas as mais votadas foram um barco maior para melhorar o transporte entre a aldeia e a cidade, e melhor estrutura para a casa dos indios em Ipixuna, com fogão, luz e geladeira.

Índios Kolina.

Índios Kolina.

Índios Kolina.

Índios Kolina.

Índios Kolina.

Índios Kolina.

Índios Kolina.

Índios Kolina.

Índios Kolina.

Índios Kolina.

Índio Kolina Corinthiano.

Índio Kolina.

À caminho do multirão.

À caminho do Multirão.

Ainda no mesmo dia fomos para o Mutirão, area onde o governo construiu algumas casas na época que os seringais fecharam para alojar os novos moradores da cidade. Ali conversamos com 2 jovens que nos contaram das dificuldades de encontrar um emprego ou fazer uma faculdade. Mas nos contaram com bastante orgulho do grupo de jovens que eles fazem parte. Marcamos para o dia seguinte um encontro com eles. Para dificultar ainda mais nosso trabalho, começou a chover. E não era uma chuvinha londrina, era uma super chuva tropical, não havia nehuma condição de continuar trabalhando.

À caminho do Multirão.

À caminho do Multirão.

Bairro do Multirão.

Bairro do Multirão.

Bairro do Multirão.

Bairro do Multirão.

Bairro do Multirão.

Bairro do Multirão.

No dia seguinte acordamos cedo e visitamos mais alguns bairros carentes de Ipixuna. Muitos nos contaram da dificuldade de construir uma casa, como em Jordão. A produção de tijolo é pequena e a madeira é muito cara. Mas em Ipixuna não aparentava ser tão dificil como em Jordão: muitas ruas asfaltadas, muito investimento no esporte com quadras, campo e ginásio. As produções das familias eram mais diversificadas, incluindo até produção de açaí. Para completar, terminamos nossa ultima atividade com o grupo de jovens. Eles fora surpreendentes, falaram sobre a necessidade dos mais carentes de exporem suas ideias e sobre o respeito entre as classes sociais. Eles nos contaram como andam resgatando jovens que consumiam drogas, mas que seu grande desafio agora é conquistar oportunidades após o termino do segundo grau. Para terminar nossa viagem com um encontro inusitado, o filho de um missionario alemão nos esperava no aeroporto e nos perguntava se tinhamos um emprego para ele. Ele veio com o pai para levar Jesus aos indios.

Periferia de Ipixuna.

Periferia de Ipixuna.

Periferia de Ipixuna.

Periferia de Ipixuna.

Periferia de Ipixuna.

Periferia de Ipixuna.

Periferia de Ipixuna.

Periferia de Ipixuna.

Foram 10 municipios, 20 atividades de grupo, 100 entrevistas e milhares de fotos! Uma experiencia incrivel e única, conhecendo alguns dos cantos mais escondidos desse nosso Brasil. Vamos dar prosseguimento ao Blog, escrevendo as novidades com relação ao material produzido. E os deixamos com uma das frases mais citadas durante nossa viagem:

Uma andorinha só não faz verão!

Depois do dia de espera, finalmente embarcamos para Jordao. O tempo estava limpo, e a expectativa era de uma viagem tranquila. No meio do caminho, o piloto decide pousar em Santa Rosa para reabastecer o nosso teco-teco. Quando avistamos a pista de pouso ficamos logo preocupados, o que viamos era apenas um pasto mal cuidado. Nosso piloto nos acalmou, o problema é a decolada, quando dependemos do avião, o pouso é por conta do piloto. O pouso foi tranquilo, e logo chegamos em Jordao são e salvos. Já pelo ar viamos que jordão era um município bastante pequeno, casas de madeira e pouca urbanização. No caminho para lá foram varios os minutos só vendo a imponente floresta amazonica abaixo de nos intocada.

Parada para reabastecimento.

Parada para reabastecimento.

Chegamos com a intenção de irmos diretamente a uma aldeia ou comunidade fora da area urbana. Mas precisávamos de uma autorização de um policial local, que não se encontrava na cidade. Por isso tivemos que ficar por ali mesmo. Encontramos o prefeito que estava fazendo uma escada nova para sua casa em construção. Ele nos contou um pouco da historia da seringa local, como até os anos 80 tudo funcionava em torno da indústria dos seringais. Mas quando as industrias de pneu começaram a comprar a borracha da Malasia, eles foram destruidos. Seringais quebrados significou que todos quebraram. Muitos sairam de Jordão, e a opção para quem ficou era agricultura, pecuaria ou prefeitura. Ele também nos contou que são 26 aldeias em Jordão, um total de mais de 2000 indios na região. O prefeito nos prometeu um barco para o dia seguinte para irmos a áreas que eram seringais e aldeias pelo rio Tarauaca, já que não tinhamos a autorização do policial para ir pelo rio Jordão. Ficamos intrigados, pois nem mesmo o prefeito poderia nos autorizar.
Durante o primeiro dia resolvemos investigar o bairro mais pobre da area urbana de Jordão: Suero Sales. Os moradores nos contaram como tudo era muito caro, já que pouco se produz localmente, e tudo chega pelo avião que cobra uma fortuna de frete. Acesso a terra também não é tão fácil, a area em volta da cidade é reserva extrativista, reserva indigena ou ex-seringal que hoje pertence a prefeitura. Para comprar uma casa na cidade, só se for de madeira e o custo pelo material chega a 12.000 reais. As historias foram de familias que viviam da seringa, e que migraram para cidade por falta de opção de continuar vivendo no campo. Tentamos também entender um pouco mais sobre a vida no seringal, e houveram controversias. Uns dizendo que se ganhava dinheiro facil, e que a vida era melhor. Outros argumentaram que nunca se via a cor do dinheiro, já que ia tudo de volta para o seringalista que fornecia alimentos super inflacionados.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

À noite fomos convidados para um churrasco no bar do Corujão, onde estavam algumas das autoridades do municipio. Depois de umas cervejinhas, começamos a escutar algumas historias fantasticas do municipio.  Nos contaram que a aldeia há pouco descoberta  e totalmente isolada estava localizada alí proximo. Mas a historia por trás desta descoberta era um segredo da familia do prefeito. Há muito tempo atrás a tia do prefeito tinha sido assassinada junto com seu filho por esses indios bravos. De acordo com a história, foi uma morte violenta, chegando ate a arrancar os olhos das vitimas. Então deduzimos que a familia do prefeito foi atrás dos indios, descobrindo sua localização. Esses indios teriam mais de 2 metros de altura, tinham o pe tamanho 50, e possuiam arcos enormes que nenhum homem branco conseguiria esticar. Só que nem todos acreditavam na existencia de indios sem contatos. Uns argumentaram que eles se faziam de bravos para conseguir manter suas terras e deixando os homems brancos com medo.
No dia seguinte partimos cedo pelo rio Tarauaca. Nas regiões mais próximas da cidade estão as comunidades dos ex-seringueiros. Aqueles que conseguiram acesso a terra e diversificar suas produções aparentavam mais sustentáveis. Mas outros que viviam de aluguel ou por troca de serviço estavam em uma das situações mais pobres que vimos nessa viagem.  Chegamos ao meio dia nas aldeias Altamira e Nova União.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Foi supreendente ver a vontade dos indios de se integrarem a “sociedade branca”,  mas ao mesmo tempo mantendo sua identidade. Por um lado queriam melhores casas com telhado de aluminio e mais comunicação inclusive com acesso a internet, mas por outro falavam da importancia de continuar vivendo na aldeia coletivamente. Depois de ver indios em Alagoas e no Maranhão, percebemos que cada area indigena tem sua própria especificidade, com relações diferentes com a “sociedade branca”, sendo então dificil dizer e entender de uma maneira universal o que seja indio hoje no Brasil.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão nos encantou. Suas lendas, seus indios contemporaneos, e pessoas amaveis e abertas nos fizeram sentir muito avontade e nos encheu de curiosidade e vontade de voltar. No dia seguinte partimos de volta para Rio Branco, para começar a jornada para nosso ultimo destino: Ipixuna, no Amazonas.

A caminho de Jordão…

Dezembro 12, 2008

Hoje tentamos seguir nossa viagem para Jordão. Fomos ao aeroporto de Rio Branco e encontramos os outros passageiros que nos acompanhariam no vôo, dois indígenas e um estudante de medicina que faz seu curso na Bolívia. Daqui para a Bolívia é muito próximo, em torno de duas horas de carro. Pela manhã o taxista que nos levou ao aeroporto nos falou sobre o tráfico de drogas na região e citou que aqui é a porta de entrada de muita coisa que vem da Bolívia. No aeroporto o dia foi de espera… ficamos trocando de cadeira e comendo misto quente por 7 reais… um dos mais caros que já comi. Por aqui os preços são bem mais altos do que pelo restante das cidades que passamos. Nosso vôo estava previsto para as oito e meia, mas já passavam das onze horas quando a chuva apertou e até o boeing da Gol teve que retornar para Porto Velho devido à falta de condições para aterrizar (imagine nosso pequeno bimotor…) O piloto foi sensato, após várias tentativas sem sucesso de conseguir algum contato com Jordão, os telefones da cidade pifaram, abortamos a missão pois chegaríamos pela noite e na mata não há iluminação para o pouso… Bom, o dia de amanhã promete!

Catraqueiro carrega caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Catraqueiro carrega caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Proxima parada: Centro do Guilherme, cidade no noroeste do Maranhão, quase já no Pará. O caminho foi novamente um mistério, desvendado através do Google Mouth. Saimos de São Luis as 6 da manhã, e depois de cruzar a cidade, pegar um ferry, passar por 300 klm de estrada e 60 klm de pizarra, chegamos no esquisito Centro do Guilherme. Mal chegamos e já dava para notar que ali era muito diferente dos outros municípios que visitamos. Não existiam casas de taipa na estrada, e viamos apenas muito gado, aparentemente desnutridos. Sentimos que o clima do sertão já estava para trás. Já na cidade, vimos carros de luxo e outros abandonados e queimados. O centro estava cheio de pequenos mercados e lojinhas. Estava claro que aquela era uma cidade que não vivia unicamente da roça.

Praca de Centro do Guilherme.

Praca de Centro do Guilherme.

Mercado fechado na praca principal.

Mercado fechado na praca principal.

Assim que chegamos, fomos a prefeitura em busca de contatos e apoio. Apenas uma secretária estava presente, que nos recomendou voltar mais tarde. Depois do almoço nem ela estava presente no local. A assistencia social tinha o edificil trancado com correntes e cadiados. Tivemos que partir pra abordagem popular. Já que estavamos ficando em uma pousada na praça principal da cidade, resolvemos fazer alguma entrevistas por ali mesmo. Logo descobrimos o que estava por trás da economia local: nos contaram que existem 6 serrarias, e varios madeireiros atuando no local. Tomando uma cerveja no bar na praça, conhecemos um catraqueiro que nos contou abertamente mas com cautela sobre a industria da madeira local. Indios vendem arvores de 15 reais a 300 reais aos madeireiros, e esses contratam catraqueiros e motoqueiros para a derrubada e transporte das arvores. Os madeireiros vendem a  madeira  as serrarias que fornecem aos compradores a madeira beneficiada. O metro da madeira beneficiada chega a custar 1.200 reais.

Ficamos assustados com a noticia e ficamos apreensivos com o que as pessoas podiam achar sobre o nosso trabalhoComo o  IBAMA e a polícia federal já tinham estado  lá,  os envolvidos na industria da madeira poderiam achar que estávamos trabalhando para eles ou para um jornal para denunciar o crime ambiental. Onde estávamos hospedados, varios hospedes trabalham com a madeira, a maioria comprando arvores e beneficiando o produto. Decidimos não usar a filmadora, e fazer um trabalho mais discreto. Mas não podiamos deixar de ir a aldeia dos indios que começaram a comercializar as arvores da reserva da FUNAI onde habitam.

No dia seguinte fomos em busca da Aldeia Axiguirenda com nosso vizinho Seu Raimundo. Na mesma rota que a nossa, vimos varios caminhões a caminho da aldeia para buscar arvores. E logo tivemos um grande obstaculo: a ponte que dava acesso a aldeia estava quebrada, impedia que carros pequenos passessem. Seu Raimundo conhecia um outro caminho, só que bem mais aventureiro. Depois de muitos buracos, não tivemos como escapar, ficamos presos por um bom tempo no caminho. Com ajuda da forte saúde de Seu Raimundo, tiramos o carro do buraco e seguimos em frente. Em nosso caminho ficamos deslumbrados com a natureza, beleza e imponencia da floresta Amazonica. Ao mesmo tempo ficamos tristes por ver tanta destruição, por queimadas e derrubadas.

Enrrascados mais uma vez...  Valeu seu Raimundo!

Enrrascados mais uma vez... Valeu seu Raimundo!

Floresta amzonica e area indigena.

Floresta amzonica e area indigena.

Desmatamento da floresta amazonica.

Desmatamento da floresta amazonica.

Desmatamento da floresta amazonica.

Desmatamento da floresta amazonica.

Ao entrarmos na reserva da FUNAI, nos deparamos com o caminhão fornecido pelos madeireiros em troca de arvores para os Indios. Conversamos com um madeireiro que nos deu um depoimento convicto de que não destruia a natureza, apenas sobrevivia de modo honesto e que através da derrubada das arvores antigas, criava espaço para que novas arvores se desenvolvessem.

Catraqueiros carregam caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Catraqueiros carregam caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Mendindo as toras...

Mendindo as toras...

Catraqueiro carrega caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Catraqueiro carrega caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Chegamos a Axinguire e fomos recebidos pelo Cacique, que se dispos prontamente a conversar. A lingua local é o Tupi Guarani, e poucos falavam portugues. As casas são de madeira, e os tetos de palha. Haviam dois fornos de mandioca, onde as mulheres trabalhavam na produção de farinha. Muitas crianças nos cercaram, e as mulheres corriam quando chegavamos perto.

India Kaapor.

India Kaapor.

Lazer na aldeia.

Lazer na aldeia.

Aldeia de indios Kaapor.

Aldeia de índios Kaapor.

Aldeia de indios Kaapor.

Aldeia de índios Kaapor.

Aldeia de indios Kaapor.

Aldeia de índios Kaapor.

O cacique juntou rapidamente um grupo de homens, com os quais conduzimos a atividade de grupo. Por mais que tenha sido dificil realizar um debate pela barreira do idioma e hierarquia de poder, deu para ver que eles tinham uma ideia muito clara do que queriam: posto de saúde, energia, diversificação da produção através de açudes ou criação de gado, e água encanada.

Atividade na Aldeia.

Atividade na Aldeia.

Aldeia Axiguirenda.

Aldeia Axiguirenda.

Ativiade com os indios.

Ativiade com os indios.

Índio escreve o nome da Aldeia Axiguirenda.

Índio escreve o nome da Aldeia Axiguirenda.

Menino da Aldeia Axiguirenda.

Menino da Aldeia Axiguirenda.

Pequeno Kaapor.

Pequeno Kaapor.

Voltamos a Centro do Guilherme e conduzimos algumas outras entrevistas no bairro do Jacaré, considerada a favela da cidade por ter sido uma ocupação ilegal de moradores vindo da area rural do município. Já era noite quando terminamos a ultima atividade de grupo na praça e pensamos em partir para poder estar em Sao Luis em tempo para pegar o voo do meio dia em direção ao Acre. No entanto como soubemos que  a  a cidade era habitada por muitos foragidos da justiça e que ha varias atividades ilegais no municipio, como desmonte de veiculos, comercio ilegal de madeira e trafico de drogas, decidimos que seria melhor partir pela manhã, mesmo sem tempo. No dia seguinte, saimos de Centro do Guilherme as 5 e chegamos ao aeroporto as 11:40, os ultimos a embarcar no voo para Rio Branco.

Caminho de volta pela madrugada.

Caminho de volta pela madrugada.

E o Associativismo?

Dezembro 8, 2008

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Um dia vem uma pessoa com um pouco mais de iniciativa politica e diz: pessoal se voces se juntarem, a gente acaba com esses atravessadores, a gente aumenta o preço do nosso produto, e viramos donos do nosso próprio negocio. Vamos formar uma associação! Vamos ter acesso a crédito, ajuda de orgãos federais, vai ser a nossa solução. Em teoria tudo parece perfeito, um montão de gente se inscreve. Juntos os trabalhadores podem compartir o preço de um trator para arar a terra deles, juntos podem comprar um barco para levarem até o mangue, juntos podem comprar uma maquina de gelo para conservar o peixe. Dessa forma o objetivo é de aumentar a produção ou beneficiar o produto ali mesmo na comunidade. Quem sabe assim o produtor pode colocar o real valor do custo para produzir ou extrair a mercadoria vendida, e combater a exploração exercida pelo comprador que dita o preço pela falta de competição. Se a gente não vender nosso carangueijo para esse comprador ele vai estragar, melhor vender por qualquer preço que perder toda a mercadoria. E a conversa dos atravessadores é sempre a mesma: lá onde vendemos o carangueijo o mercado tá dificil, só querem os grandes, esses pequenos tem que ser mais barato. O trabalhador sem poder de barganha e informação do que esta realmente acontecendo na capital, aceita o preço explorador. O preço que não compensa.
A associção é formada como mecanismo de transformar esse sistema injusto. O crédito logo chega, mas logo também chegam os problemas: recursos desviados e que não são distribuidos , falta de assistencia tecnica e acompanhamento, ferramentas e produtos danificados, brigas, disputas, e o que parecia ser esperança vira um encargo: “Além de pobres, viramos endividados. Antes eu durmia sussegado, não tinha dinheiro mas também não divia nada a ninguém, agora eu tenho o nome sujo e não posso pegar mais nenhum crédito”.
Essa é a historia de vários pequenos produtores brasileiros: são catadores de carangueijo, pescadores, produtores de mandioca, criadores de galinha e gado, que aceitaram o risco para melhorar de vida. Entre esses existem os que são vitimas do sistema, mas também aqueles que se aproveitam da oportunidade de ganhar dinheiro facil. Por causa desses poucos, os politicos jogam a culpa do mal funcionamento dessas iniciativas em cima deles: é a população que não está organizada e não se interessa. E o discurso continua: esses pequenos produtores não estão preparados para o que conseguimos para eles, é a cultura que é dificil de mudar… (ouvimos essa frase durante nossa viagem). Para aqueles que um dia acreditaram no associativismo, depois do fracasso vem a desilusão. Para o pequeno produtor, o trabalho em grupo já não é uma alternativa viável, e a politica se confirma como uma maquina de exploração e corrupção.
Hoje existem varias linhas de projetos que trabalham com coletividades, formação de cooperativas e mobilização comunitária, apoiadas pela direita, esquerda, politicos e organizações da sociedade civil. A maquina do associativismo opera hoje na politica brasileira, para uns como forma de esperança e transformação, para outros como perpetuação da corrupção sobre o rotulo da ação social.
Para uns, a justificativa do mal funcionamento é a cultura da pobreza. Para outros é a corrupção dos que dominam. Nesse impasse, reina estagnação e desilusão. Mas a esperança vem das iniciativas populares, que pode servir como aprendizado para mudanças ao longo prazo. Uma nova geração vai ter que aprender a superar tais dificuldades e buscar alternativas que partam dos ideais iniciais do associativismo, mas que operem de maneira justa e não oportunista.
(essa reflexão foi feita antes de Lagoa Grande, onde vimos varias associações e beneficios chegando com empréstimos de grupo vindo do Banco do Nordeste, acesso a terra através da reforma agrária e construção de casas) .

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Chegamos em São Luis as 4 da manhã e acampamos no salão de um hotel com internet para atualizar o blog e organizar nossa próxima viagem. Alugamos um novo carro, e logo seguimos para Lago da Pedra, onde encontramos com Sara, amiga italiana de Alexandre fazendo pesquisa na região sobre as quebradeiras de coco. Já era noite quando chegamos a  Lagoa Grande, e todos se encontravam na praça vendo o filme Os filhos de Francisco em um telão. Foi uma otima recepção onde pudemos conhecer um pessoal. Dificil foi encontrar um lugar para dormir. Todas as pousadas estavam lotadas, e até cogitamos a possibilidade de dormir no carro. Mas, no final, fomos salvo pela Dona Mariana, que alugava quartos atrás da casa dela. Ficamos intrigados com o lençol da Dona Mariana que tinha o slogan do Hospital Antonio Prudente de São Paulo.
Focamos nossa visita em três regiões do município. Uma area de assentamento, um povoado na beira da estrada no caminho para Lago da Pedra, e a região afetada pela DESTRUIÇÃO causada pelas chuvas emabril deste ano. O municipio é cheio de areas que foram repassadas para moradores sem terra. Cada assentamento tem associações que recebem benefícios como casas e terra do INCRA e o governo federal. Moradores, por mais que muitos ainda morando em casas de taipa, possuem animais pequenos e formas de produção baseada na economia familar.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

No caminho ao assentamento fomos ultrapassados varias vezes por pau de araras em alta velocidade e lotados com passageiros até no capô do carro. Na discussão no nosso primeiro povoado, foi interessante ver a importancia de uma estrada. Em tempos de chuva, a localidade fica alagada, e os povoados ficam isolados. Por causa desse isolamento, até o preço dos produtos que vêm da area urbana sobem, causando uma inflação temporaria.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade de grupo em Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade de grupo em Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade de grupo em Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade de grupo em Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade em Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade em Lagoa Grande, Maranhão.

Pela noite, jantamos no melhor estabelecimento da cidade: Corujão. O dono, cozinheiro e garçon, é um homem figura. Ele já havia morado em São Paulo, Amapá, Guiana Francesa, falava frances e sabia tudo sobre Roma, queijos e o assassinato de Versace. Depois do jantar, pegamos mais uma sessão na praça, desse vez um desenho animado.
No dia seguinte, fomos ao Deserto, area afetada pela chuva e deslisamento de terra. Só desse povoado foram 23 familia desabrigadas e 3 pessoas morreram em abril desse ano. A população ainda não recebeu nenhum tipo de assistencia para a reconstrução de suas casas, e a comunidade hoje se encontra fragmentada, uns morando na cidade sem opção de emprego, e outros poucos voltando para o deserto mas com medo de novos deslisamentos. Foi uma realidade bastante dura, mas que mostra a capacidade dessas pessoas de novamente buscarem mecanismos de se erguerem depois de tal catastrofe.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade em Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade em Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade em Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade em Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade em Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Atividade em Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Deserto, Lagoa Grande, Maranhão.

Ficamos com uma impressão de Lagoa Grande um pouco contraditória: por um lado eles se encontram organizados em associações e assistidos por projetos do governo federal. Mas por um outro lado vimos um municipio bastante carente, já que não existe nenhum hospital publico no municipio, e o que hoje há , é contratado pelo governo estadual mas não esta funcionando porque a prefeitura se encontra em um momento de transição administrativa.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Lagoa Grande, Maranhão.

Seguimos direto para São Luis novamente, onde começamos a nos preparar para a viagem ao Acre e Amazonas antes de ir ao ultimo municipio no nordeste, Centro do Guilherme.

Chegamos no final do dia 1 em Araioses, que fica no Delta do Parnaiba. No primeiro dia de trabalho fomos atras de alguem da prefeitura para nos ajudar com a logistica no municipio. Identificamos que o mais interessante ali seria investigar o tema dos pescadores e catadores de carangueijo, so que para isso precisariamos de nos locomover para as ilhas do Delta com um barco. Para tanto buscamos apoio com a prefeitura, e nos deparamos com a dura realidade da ausencia da administração municipal em tempos de transição. O prefeito em teoria estava em Parnaíba, mas outros nos informaram que estava em casa dormindo. Fomos então atrás do procurador geral do municipio, que nos alertou claramente que em tempos de transição nada é financiado. Após essa perda de tempo, seguimos de carro mesmo para Carnaubeiras, um povoado fundamental para a industria do carangueijo no Nordeste, talvez um dos maiores exportadores de carangueijo do mundo. São 5000 cordas por semana (4 carangueijos por corda) exportadas para outros estados do Brasil, principalmente para o Ceara. Lá pegamos um barco para ir encontrar com os catadores no manguezal. Avistamos homens com roupas de manga longa que cobriam todo o corpo em meio a fumaça e diversos marimbondos. Tudo para evitar as adversidades do local. Apesar das riquezas naturais do local, os catadores nos contaram que muito pouco resultava em melhorias para suas vidas. Eles tinham a plena consciencia de que estavam sendo explorados pela industria do carangueijo. O mesmo carangueijo vendido a 50 centavos em Carnaubeiras chega a custar até 4 reais nas grandes barracas de praia em Fortaleza, em menos de 24 horas. Fizemos a atividade de grupo com os catadores no final do expediente deles, em um bar perto do cais . Voltamos para Araioses com o presente de um dos nossos entrevistados, uma corda de carangueijo. Depois de preparados por nossa mão adotiva de Araioses, fomos dormir cansados por um dia dia cheio de desafios e varias picadas de muriçocas e marimbondos.

Araioses, MA.

Araioses, MA.

Catadores de carangueijo em Araioses, MA.

Catadores de carangueijo em Araioses, MA.

Catadores de carangueijo em Araioses, MA.

Catadores de carangueijo em Araioses, MA.

Atividade em grupo com catadores, Araioses, MA.

Atividade em grupo com catadores, Araioses, MA.

catadores trabalham em Araioses, MA.

catadores trabalham em Araioses, MA.

Atividade em grupo com catadores, Araioses, MA.

Atividade em grupo com catadores, Araioses, MA.

Catadores de carangueijo em Araioses, MA.

Catadores de carangueijo em Araioses, MA.

Araioses, MA.

Araioses, MA.

Araioses, MA.

Araioses, MA.

No dia seguinte arcamos com os custos do barco e fomos para a ilha Canarias. La tivemos que pegar um Jipe para conhecer os povoados da ilha. Nosso motorista tinha mil e uma funções. Além de ter o unico carro da ilha, fazia implantes dentarios, concertava antenas parabolicas, e fazia sandalias de palha para vender em Luiz Correia em tempos turisticos. Paramos em Passarinho, onde fomos abordados por um lider comunitario que não queria nossa presença no local e exigia uma autorização de alguma autoridade para conduzir a pesquisa na reserva ambiental. Despois de “desdobrar” nosso amigo, fizemos um grupo de discussão com as mulheres de Caiçara. Elas nos contaram como as riquezas locais não são aproveitadas, cajus são desperdiçados por falta de saida. Novamente tivemos a companhia dos nossos colegas borrachudos. Para eles nosso repelente era perfume frances, atraiam em vez de repelir.

Araioses, Maranhão.

Araioses, Maranhão.

Araioses, Maranhão.

Araioses, Maranhão.

Atividade de grupo com mulheres em Caiçara, Araioses/MA.

Atividade de grupo com mulheres em Caiçara, Araioses/MA.

Araioses, Maranhão.

Araioses, Maranhão.

Araioses, Maranhão.

Araioses, Maranhão.

No caminho de volta para Araioses, entrevistamos um pescador de camarão, com direito a banho de rio e carona de canoa. Como nossas aventuras deixam os carros melhores do que recebemos, marcamos de entregar o carro já na rodoviária, minutos antes de pegarmos o onibus para São Luis. Sorte tivemos que a vistoria é feita com o carro desligado.

Araioses/MA.

Araioses/MA.

Araioses/MA.

Araioses/MA.

Araioses/MA.

Araioses/MA.

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