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Off-Road para Guaribas.

Novembro 27, 2008

 

Lavadeira do São Francisco.

Novembro 27, 2008

Mandiocada

Novembro 27, 2008

Cantoria durante a mandiocada.

Após 12 horas de ônibus de Salvador à Barreiras, saimos a procura de locadoras de veiculos na cidade. Por um instante quase que nossos planos vão por água abaixo, pois era domingo e todas as locadoras estavam fechadas. Após varias tentativas, e analisarmos todas as possibilidades, decidimos alugar o único carro que havia a disposição, um Uno que a primeira vista parecia um mero pangaré. Seguimos pala estrada rumo ao Piauí. No caminho muita chuva e ao anoitecer chegamos em Gilbués depois de 350 km percorridos e  onde pensavamos estar proximo do nosso destino final. Mas nossa alegria não durou muito tempo. Ao conversar com a população local, DESCOBRIMOS que Guaribas ficava muito distante de lá, e ainda teriamos que enfrentar 165 km até Bom Jesus, para então encontrarmos a estrada carroçal de 90 km. Novamente o GoogleMaps nos deixou na mão… Dormimos em Bom Jesus pois já era tarde e porque sentimos que uma longa jornada nos esperava. Estava claro que a população de Bom Jesus nunca havia pisado em Guaribas, já que nos informaram caminhos que variavam de 90 à 300 km de lama.
Cedo partimos  em direção a Guaribas. O ultimo trecho asfaltado ia até a cidade de Santa Luz, onde compramos os últimos 4 litros de água mineral da cidade e alguns miojos para garantir a emergência. Ali todos nos alertaram sobre o perigo da estrada, e seguimos em frente. Após 30 km de estrada de terra, atolamos pela primeira vez. Parecia que tudo estava perdido, não havia população local, apenas estrada de terra, muita lama, a mata e alguns carcarás a nos vigiar. Diferentes possibilidades de caminho nos deixavam em dúvida se estavamos realmente indo em direção a Guaribas. Após 70 km de piscinas de lama, muita pedra, e algum problema na parte de baixo do carro causando um barulho de algo solto, nos fazia pensar o que fariamos ali se não conseguissemos seguir em frente. Mas nosso Uno Pangaré se mostrou um puro sangue, passando por todas as adversidades do caminho. Foi quase um sonho quando avistamos Guaribas.

A caminho de Guaribas.

A caminho de Guaribas.

A caminho de Guaribas

A caminho de Guaribas

Nada de comemorações e descanso, com a F100 da prefeitura toda acabada (parabrisa tincado, porta que não fechava, e toda enferrujada) partimos para Barreiro, povoado visitado pela equipe da revista Rolling Stones. Depois de 2 horas chegamos e começamos nossas entrevistas. Conversamos com Maria Fernandes Lacerda Pereira, que nos mostrou seu roçado no quintal da casa com orgulho e seu desejo de ver água saindo do solo da própria comunidade. Dona Maria nos contou que o marido morreu doente,  deixando-a responsável pelos filhos e a roça. Atualmente ela usa a água da cisterna, no entando seu maior sonho é ter água para irrigar seu plantio.

Dona Maria, moradora do povoado Barreiro, Guaribas, Piaui.

Dona Maria, moradora do povoado Barreiro, Guaribas, Piauí.

Quando caminhávamos para o povoado de Capim percebemos que dona Maria era a personagem principal da matéria da Rolling Stone. Na foto publicada na revista dona Maria estava acocorada a beira de um riacho. Refletimos que há pelo menos duas maneiras de apresentar os fatos e as pessoas. Para nós dona Maria, apesar de sua condição de vida, sorriu e contou sua história. Na revista…

Link para matéria: http://www.rollingstone.com.br/edicoes/14/textos/1201/

Atividade de grupo no povoado de Barreiro, Guaribas, Piaui.

Atividade de grupo no povoado de Barreiro, Guaribas, Piauí.

O segundo povoado visitado foi Capim. Ali tivemos uma ótima atividade de grupo iluminada pelo candeeiro. Os participantes identificaram uma maior necessidade de reuniões para discutir propostas, e até marcaram uma data para o primeiro encontro da comunidade. Foi um dia bastante dificil para nós, pelos desafios do caminho e de mobilização das pessoas do local, mas que terminou de uma forma surpreendente.

Atividade de grupo em Capim, Guaribas, Piaui.

Atividade de grupo em Capim, Guaribas, Piauí.

Atividade em Capim, Guaribas, Piaui.

Atividade em Capim, Guaribas, Piauí.

Atividade de grupo no povoado Capim.

Atividade de grupo no povoado Capim.

No dia seguinte, encontramos com Dazio, morador do Brejão e indignado com o coronelismo local. Segundo ele um voto para prefeito esta entre 1000 e 1500 reais, para vereador entre 200 e 300 reais. Além dos temas já mencionados nos outros dois municípios (água e energia), escutamos com frequência a questão da segurança: uma senhora nos contou que teve seu filho assassinado pelo próprio pai e outros compartilharam seu medo em certas regiões do municipio por haver pessoas armadas e grande consumo de bebidas alcólicas.

Derval Ribeiro da Trindade, morador do povoado de Capim, Guaribas, Piaui.

Derval Ribeiro da Trindade, morador do povoado de Capim, Guaribas, Piauí.

José Pereira Rocha, morador do povoado de Capim, Guaribas, Piaui.

José Pereira Rocha, morador do povoado de Capim, Guaribas, Piauí.

O retorno não ficou devendo emoção em relação a nossa ida. Agora a caminho de Caraúbas, serão 28 horas de onibus de Barreiras para Parnaíba!

E o clientelismo…

Novembro 23, 2008

(Alexandre)

Estamos a caminho de Guaribas, em uma viagem de 12 horas de onibus de Salvador a Barreiras. Mas antes de vir, fomos jantar na casa do meu pai, onde tivemos uma breve momento familiar. Otimo para eu recarregar as baterias, mas coitado do Gustavo,fez com que ele tivesse ainda mais saudade de casa. Imprimimos ali uma reportagem das Rolling Stones sobre Guaribas, que acabamos de ler aqui no onibus. Estava claro que a principal intenção do jornalista foi mostrar o Lula como um traidor, já que ele prometeu ir lá e não foi, já que ele prometeu melhoras e os seus programas sociais não combatem o clientelismo e assistencialismo. A reportagem usa de um depoimento de um residente, e indicadores para pincelar uma realidade sofrida, necessitada e incapacitada de qualquer esperança de transformação. Foi um otimo exemplo do que não queremos fazer.
Mas daí surgiu um pensamento sobre o clientelismo: é verdade que quando falamos com as comunidades que estamos visitando muitos falam que só o governo pode ajudar, que eles só tem que esperar. Uma análise superficial iria logo chegar a conclusão que essas pessoas estão penduradas na máquina do governo. Quando perguntamos o que eles fazem ou podem fazer para mudar, muitos dizem que não sabem ou não podem por viverem em extrema pobreza. Mas depois de uma reflexão vemos que a história não é bem assim: eles pagam para trazer o carro pipa ao seus povoados, eles se juntam para roçar, dinheiro é arrecadado para festejos que acontecem anualmente. A população mais pobre desse país não está parada de braços cruzados esperando melhoras que cheguem do governo ou do céu. Mesmo aqueles que recebem o bolsa familia (que não são todos) fazem acontecer. Só que o que aparenta é que eles não vêem isto como uma potencialidade, mas como uma maneira de se virar. Por isso que uma pesquisa ou reportagem superficial em busca apenas da pobreza vai perpetuar o assistencialimso ja que o pobre é mostrado como passivo, o marginalizado ou como um perdido.
Só que o que estamos aprendendo é que essa população que vive o clientelismo, tem a noção que ele esta operando, e mais que tudo, se ela se utiliza dele, é para conseguir beneficios. O pobre não é só vitima, ele nessa situação tem poder de barganha. Uma entrevista com a professora do Sitio das Baixas deixou isso bem claro. Como o sitio onde ela vive faz parte de dois municipios, a professora acha que isso não é apenas um problema, mas também uma solução, já que em época de eleições eles podem conseguir ajuda dos dois lados.
Esse pensamento aqui nesse onibus a caminho de Barreiras não pretende perceber o clientelismo de nenhuma maneira que não seja negativa no processo de desenvolvimento dessas localidades. Mas não podemos cair no simplismo de achar que o pobre se entrega as condições aversas. Ele é lutador e trabalhor, ele aparenta 10 anos mais velho que a sua real idade pelo esforço da vida, são “seres de luz”, luz de mudança e transformação, e o que precisam é uma ajuda nesse processo que eles já começaram.

Menino busca água em Cercadinho, Manari, Pernambuco.

Menino busca água em Cercadinho, Manari, Pernambuco.

Dona Lindu vai para casa... Sitio Baixas, Manari, Pernambuco.

Dona Lindu vai para casa... Sítio Baixas, Manari, Pernambuco.

Para executar essa pesquisa estamos aplicando tecnicas de pesquisa tradicionais, como entrevistas e grupos de discussões, mas também buscamos usar tecnicas audio-visuais como mecanismos de investigar as potencialidades e capacidades humanas nos municipios visitados.

As entrevistas estão sendo feitas com informantes chaves e moradores das areas mais excluidas dos municipios visitados. Os informantes chaves são secretarios e funcionarios publicos que nos dão informações gerais e iniciais dos municipios. Através deles também identificamos algumas localidades a serem visitadas.

Nas entrevistas com os moradores locais fazemos as seguintes perguntas: O que tem que mudar no Brasil para a sua vida dar uma melhorada? O que voce poderia fazer para sua vida dar uma melhorada? Se voce pudesse nos levar a tres locais dos quais voce se orgulha, onde seriam? E se fossem localidades criticas, onde seriam? Essas entrevistas são filmadas, e logo depois são produzidas uma série de retratos com as pessoas buscando a essencia, a força e a auto-estima.

Através das entrevistas, mobilizamos moradores dos povoados para realizar a atividade em grupo. Os participantes primeiro escrevem ou desenham em cartas propostas de mudança. Essas cartas são colocadas no meio do grupo ou em uma parede. Fazemos uma discussão para levantar possiveis obstaculos para a implementação dessas propostas. Participantes tem direito a dois votos a serem associados as propostas mais importantes. Logo depois, 4 pedaços de cordas são entregues aos participantes para ligarem os principais obstáculos as propostas. Como resultado, os maiores obstáculos serão visíveis, pois esses estarão conectados ao maior numero de propostas. A atividade é flexível e pode variar de acordo com as discussões colocadas.

Seres de Luz - Morador do Assentamento Marcação.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de luz.

Série de retratos - Seres de luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.

Série de retratos - Seres de Luz.