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Lavadeira do São Francisco.

Novembro 27, 2008

Mandiocada

Novembro 27, 2008

Cantoria durante a mandiocada.

Chegamos em Maceió e fomos direto alugar um carro para o nosso próximo destino: Manari. Por 10 reais a mais, a funcionaria da locadora nos oferecia um carro com ar condicionado, o que depois se comprovou como os 10 reais mais bem pagos da viagem, amenizando o calor, a poeira e o clima seco do sertão brasileiro! Após um pit-stop no Iguatemi de Maceió encontramos no aeroporto com Fabio, cinegrafista de São Paulo enviado a trabalho pela Natura. Depois de poucos minutos no solo nordestino, Fabio foi logo trocar as calças por uma confortavel bermuda. No sertão, calça só em dia de missa. Com instruções do Google Maps, partimos em busca de Manari. Rapidamente percebemos que o mapa não servia pra muita coisa, pois os direcionamentos esqueciam que o brasil é cheio de buracos. O boca a boca acabou nos levando ao caminho de Guaranhuns, nossa primeira parada e terra do Lula e das flores. Era aproximadamente 8 da noite, razão pela qual preferimos ficar por ali mesmo. A cidade nos surpreendeu pelo seu tamanho, infraestrutura, organização e  beleza. Pra completar passamos um friozinho no quarto do hotel vendo o Brasil dar uma lavada em Portugal: que beleza!

Traipu: 17-19 de Novembro

Novembro 20, 2008

Acordamos no nosso primeiro dia de viagem na Pousada Familiar Classic (pronunciada classique), sugerida por um cobrador de onibus saindo do Aeroporto! Fomos logo pegar uma van para Arapiraca, e que van. Atendimento melhor que da Gol. Mesmo lotada, estavamos todos vendo um DVD, com direito a cafezinho e bolacha creme-craker.  De Arapiraca, pegamos outra van para Traipu. A pousada fica (se é a mesma que vc mencionou no inicio do páragrafo)  na beira do Rio São Francisco. A primeira impressão foi uma surpresa: um banco, otimo calçamento, escola, lan house com luz neon, em fim, “uma cidade arrumadinha”. Logo mais,  conversando com secretarios do municipio, tivemos alguns dados: das 24,000 pessoas que habitam Traipu, 10,000 vivem no centro urbano, e as outras 14,000 vivem nas areas rurais em povoados, vilas e sitios.

Rio São Francisco em Traipu.

Rio São Francisco em Traipu.

Nossa primeira visita no municipio foi para o Assentamento Marcação. Depois de 6 meses de ocupação, os as 120 familias foram assentadas com casa e ligação a luz elétrica. Mesmo antes de começar as entrevistas, vimos mulheres carregando roupa indo e vindo, jumento carregando baldes de água. As entrevistas e discussões em grupos revelaram o que estava claro: uma das questões mais importantes para eles é a falta de água encanada. Mas ouvimos também repetidamente: “o que precisamos aqui é projeto do governo pra gente ter emprego”. Uma vez fora do assentamento ouvimos outros falarem: “Aquele pessoal recebeu tanto projeto para ter granja, irrigação e bezerro. Recebiam num dia e vendiam no outro”.

No nosso segundo dia em Traipu acordamos cedo e novamente com o carro fornecido pela prefeitura, fomos para a aldeia Aconã. Depois de passar por 2 horas de estrada de terra, povoados com casas de taipa, esperavamos uma aldeia bem necessitada e isolada. Mas quando chegamos encontramos uma realidade totalmente oposta. Alem do barco (QUE BARCO??), carro, e casas BEM construidas, ele (ELE QUEM?) tambem tem telefone via satelite e internet. Da aldeia, fomos para Uruçu, um povoado que esta no processo de ser reconhecido como quilombola. Chegamos no meio de uma Mandiocada. As mulheres alem de nos receberem com muito carinho e abertura, tambem cantaram para a gente. As entrevistas e discussões feitas no meio da mandiocada revelaram a necessidade de melhorar a comunicação do povoado com outras localidades. Um orelhão foi a proposta mais valorizada para elas.

Apos o almoço, fomos para Bomcarada, um povoado também bastante distante, mas que foi beneficiado pelo projeto das cisternas do governo federal. Ali tivemos uma otima atividade com um grupo de jovens meninas. O que mais nos surpreendeu foi a consciencia politica delas, e ao mesmo tempo uma dependencia de ações governamentais. Elas identificaram dois grandes obstaculos: ineficacia do poder publico, e a falta do pensamento coletivo.

No caminho de volta para Traipu, paramos em um acampamento do MST. Conversando com alguns integrantes do movimento, o que tem que mudar é o acesso a terra. Nossa entrevistada, Vera Lucia, mora na cidade mas por não conseguir um emprego quer ter um pedaço de terra para se sustentar. Ela acredita que a principal razão para ela não conseguir emprego é o fato de ela expressar a sua opinião contrária à do prefeitoabertamente. O mesmo problema foi relatado por uma lavadeira no Rio São Francisco na manhã do nosso ultimo dia em Traipu.

Enfim, de Traipu saimos com a impressão de que o tema mais relevante é a relção dos cidadãos com o estado. O assistencialismo esta presente na sua mais dura forma: quem não se envolve com o poder publico passa fome. Quem entra no jogo se dá bem.

Assentamento Marcação.

Assentamento Marcação.

Assentamento Marcação.

Assentamento Marcação.

Assentamento Marcação.

Assentamento Marcação.

Aldeia quilombola em Uruçu.

Aldeia quilombola em Uruçu.

Acampamento do MST em Traipu.

Acampamento do MST em Traipu.

Rio São Francisco em Traipu.

Rio São Francisco em Traipu.

Grupo de discussão em Bomcarada.

Grupo de discussão em Bomcarada.

Índio da tribo Acanã com a produção de arroz.

Índio da tribo Acanã com a produção de arroz.

Meninas no assentamento Marcação.

Meninas no assentamento Marcação.

Assentamento Marcação.

Assentamento Marcação.