Catraqueiro carrega caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Catraqueiro carrega caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Proxima parada: Centro do Guilherme, cidade no noroeste do Maranhão, quase já no Pará. O caminho foi novamente um mistério, desvendado através do Google Mouth. Saimos de São Luis as 6 da manhã, e depois de cruzar a cidade, pegar um ferry, passar por 300 klm de estrada e 60 klm de pizarra, chegamos no esquisito Centro do Guilherme. Mal chegamos e já dava para notar que ali era muito diferente dos outros municípios que visitamos. Não existiam casas de taipa na estrada, e viamos apenas muito gado, aparentemente desnutridos. Sentimos que o clima do sertão já estava para trás. Já na cidade, vimos carros de luxo e outros abandonados e queimados. O centro estava cheio de pequenos mercados e lojinhas. Estava claro que aquela era uma cidade que não vivia unicamente da roça.

Praca de Centro do Guilherme.

Praca de Centro do Guilherme.

Mercado fechado na praca principal.

Mercado fechado na praca principal.

Assim que chegamos, fomos a prefeitura em busca de contatos e apoio. Apenas uma secretária estava presente, que nos recomendou voltar mais tarde. Depois do almoço nem ela estava presente no local. A assistencia social tinha o edificil trancado com correntes e cadiados. Tivemos que partir pra abordagem popular. Já que estavamos ficando em uma pousada na praça principal da cidade, resolvemos fazer alguma entrevistas por ali mesmo. Logo descobrimos o que estava por trás da economia local: nos contaram que existem 6 serrarias, e varios madeireiros atuando no local. Tomando uma cerveja no bar na praça, conhecemos um catraqueiro que nos contou abertamente mas com cautela sobre a industria da madeira local. Indios vendem arvores de 15 reais a 300 reais aos madeireiros, e esses contratam catraqueiros e motoqueiros para a derrubada e transporte das arvores. Os madeireiros vendem a  madeira  as serrarias que fornecem aos compradores a madeira beneficiada. O metro da madeira beneficiada chega a custar 1.200 reais.

Ficamos assustados com a noticia e ficamos apreensivos com o que as pessoas podiam achar sobre o nosso trabalhoComo o  IBAMA e a polícia federal já tinham estado  lá,  os envolvidos na industria da madeira poderiam achar que estávamos trabalhando para eles ou para um jornal para denunciar o crime ambiental. Onde estávamos hospedados, varios hospedes trabalham com a madeira, a maioria comprando arvores e beneficiando o produto. Decidimos não usar a filmadora, e fazer um trabalho mais discreto. Mas não podiamos deixar de ir a aldeia dos indios que começaram a comercializar as arvores da reserva da FUNAI onde habitam.

No dia seguinte fomos em busca da Aldeia Axiguirenda com nosso vizinho Seu Raimundo. Na mesma rota que a nossa, vimos varios caminhões a caminho da aldeia para buscar arvores. E logo tivemos um grande obstaculo: a ponte que dava acesso a aldeia estava quebrada, impedia que carros pequenos passessem. Seu Raimundo conhecia um outro caminho, só que bem mais aventureiro. Depois de muitos buracos, não tivemos como escapar, ficamos presos por um bom tempo no caminho. Com ajuda da forte saúde de Seu Raimundo, tiramos o carro do buraco e seguimos em frente. Em nosso caminho ficamos deslumbrados com a natureza, beleza e imponencia da floresta Amazonica. Ao mesmo tempo ficamos tristes por ver tanta destruição, por queimadas e derrubadas.

Enrrascados mais uma vez...  Valeu seu Raimundo!

Enrrascados mais uma vez... Valeu seu Raimundo!

Floresta amzonica e area indigena.

Floresta amzonica e area indigena.

Desmatamento da floresta amazonica.

Desmatamento da floresta amazonica.

Desmatamento da floresta amazonica.

Desmatamento da floresta amazonica.

Ao entrarmos na reserva da FUNAI, nos deparamos com o caminhão fornecido pelos madeireiros em troca de arvores para os Indios. Conversamos com um madeireiro que nos deu um depoimento convicto de que não destruia a natureza, apenas sobrevivia de modo honesto e que através da derrubada das arvores antigas, criava espaço para que novas arvores se desenvolvessem.

Catraqueiros carregam caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Catraqueiros carregam caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Mendindo as toras...

Mendindo as toras...

Catraqueiro carrega caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Catraqueiro carrega caminhao com madeira comprada da aldeia indigena.

Chegamos a Axinguire e fomos recebidos pelo Cacique, que se dispos prontamente a conversar. A lingua local é o Tupi Guarani, e poucos falavam portugues. As casas são de madeira, e os tetos de palha. Haviam dois fornos de mandioca, onde as mulheres trabalhavam na produção de farinha. Muitas crianças nos cercaram, e as mulheres corriam quando chegavamos perto.

India Kaapor.

India Kaapor.

Lazer na aldeia.

Lazer na aldeia.

Aldeia de indios Kaapor.

Aldeia de índios Kaapor.

Aldeia de indios Kaapor.

Aldeia de índios Kaapor.

Aldeia de indios Kaapor.

Aldeia de índios Kaapor.

O cacique juntou rapidamente um grupo de homens, com os quais conduzimos a atividade de grupo. Por mais que tenha sido dificil realizar um debate pela barreira do idioma e hierarquia de poder, deu para ver que eles tinham uma ideia muito clara do que queriam: posto de saúde, energia, diversificação da produção através de açudes ou criação de gado, e água encanada.

Atividade na Aldeia.

Atividade na Aldeia.

Aldeia Axiguirenda.

Aldeia Axiguirenda.

Ativiade com os indios.

Ativiade com os indios.

Índio escreve o nome da Aldeia Axiguirenda.

Índio escreve o nome da Aldeia Axiguirenda.

Menino da Aldeia Axiguirenda.

Menino da Aldeia Axiguirenda.

Pequeno Kaapor.

Pequeno Kaapor.

Voltamos a Centro do Guilherme e conduzimos algumas outras entrevistas no bairro do Jacaré, considerada a favela da cidade por ter sido uma ocupação ilegal de moradores vindo da area rural do município. Já era noite quando terminamos a ultima atividade de grupo na praça e pensamos em partir para poder estar em Sao Luis em tempo para pegar o voo do meio dia em direção ao Acre. No entanto como soubemos que  a  a cidade era habitada por muitos foragidos da justiça e que ha varias atividades ilegais no municipio, como desmonte de veiculos, comercio ilegal de madeira e trafico de drogas, decidimos que seria melhor partir pela manhã, mesmo sem tempo. No dia seguinte, saimos de Centro do Guilherme as 5 e chegamos ao aeroporto as 11:40, os ultimos a embarcar no voo para Rio Branco.

Caminho de volta pela madrugada.

Caminho de volta pela madrugada.