Depois do dia de espera, finalmente embarcamos para Jordao. O tempo estava limpo, e a expectativa era de uma viagem tranquila. No meio do caminho, o piloto decide pousar em Santa Rosa para reabastecer o nosso teco-teco. Quando avistamos a pista de pouso ficamos logo preocupados, o que viamos era apenas um pasto mal cuidado. Nosso piloto nos acalmou, o problema é a decolada, quando dependemos do avião, o pouso é por conta do piloto. O pouso foi tranquilo, e logo chegamos em Jordao são e salvos. Já pelo ar viamos que jordão era um município bastante pequeno, casas de madeira e pouca urbanização. No caminho para lá foram varios os minutos só vendo a imponente floresta amazonica abaixo de nos intocada.

Parada para reabastecimento.

Parada para reabastecimento.

Chegamos com a intenção de irmos diretamente a uma aldeia ou comunidade fora da area urbana. Mas precisávamos de uma autorização de um policial local, que não se encontrava na cidade. Por isso tivemos que ficar por ali mesmo. Encontramos o prefeito que estava fazendo uma escada nova para sua casa em construção. Ele nos contou um pouco da historia da seringa local, como até os anos 80 tudo funcionava em torno da indústria dos seringais. Mas quando as industrias de pneu começaram a comprar a borracha da Malasia, eles foram destruidos. Seringais quebrados significou que todos quebraram. Muitos sairam de Jordão, e a opção para quem ficou era agricultura, pecuaria ou prefeitura. Ele também nos contou que são 26 aldeias em Jordão, um total de mais de 2000 indios na região. O prefeito nos prometeu um barco para o dia seguinte para irmos a áreas que eram seringais e aldeias pelo rio Tarauaca, já que não tinhamos a autorização do policial para ir pelo rio Jordão. Ficamos intrigados, pois nem mesmo o prefeito poderia nos autorizar.
Durante o primeiro dia resolvemos investigar o bairro mais pobre da area urbana de Jordão: Suero Sales. Os moradores nos contaram como tudo era muito caro, já que pouco se produz localmente, e tudo chega pelo avião que cobra uma fortuna de frete. Acesso a terra também não é tão fácil, a area em volta da cidade é reserva extrativista, reserva indigena ou ex-seringal que hoje pertence a prefeitura. Para comprar uma casa na cidade, só se for de madeira e o custo pelo material chega a 12.000 reais. As historias foram de familias que viviam da seringa, e que migraram para cidade por falta de opção de continuar vivendo no campo. Tentamos também entender um pouco mais sobre a vida no seringal, e houveram controversias. Uns dizendo que se ganhava dinheiro facil, e que a vida era melhor. Outros argumentaram que nunca se via a cor do dinheiro, já que ia tudo de volta para o seringalista que fornecia alimentos super inflacionados.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

À noite fomos convidados para um churrasco no bar do Corujão, onde estavam algumas das autoridades do municipio. Depois de umas cervejinhas, começamos a escutar algumas historias fantasticas do municipio.  Nos contaram que a aldeia há pouco descoberta  e totalmente isolada estava localizada alí proximo. Mas a historia por trás desta descoberta era um segredo da familia do prefeito. Há muito tempo atrás a tia do prefeito tinha sido assassinada junto com seu filho por esses indios bravos. De acordo com a história, foi uma morte violenta, chegando ate a arrancar os olhos das vitimas. Então deduzimos que a familia do prefeito foi atrás dos indios, descobrindo sua localização. Esses indios teriam mais de 2 metros de altura, tinham o pe tamanho 50, e possuiam arcos enormes que nenhum homem branco conseguiria esticar. Só que nem todos acreditavam na existencia de indios sem contatos. Uns argumentaram que eles se faziam de bravos para conseguir manter suas terras e deixando os homems brancos com medo.
No dia seguinte partimos cedo pelo rio Tarauaca. Nas regiões mais próximas da cidade estão as comunidades dos ex-seringueiros. Aqueles que conseguiram acesso a terra e diversificar suas produções aparentavam mais sustentáveis. Mas outros que viviam de aluguel ou por troca de serviço estavam em uma das situações mais pobres que vimos nessa viagem.  Chegamos ao meio dia nas aldeias Altamira e Nova União.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Foi supreendente ver a vontade dos indios de se integrarem a “sociedade branca”,  mas ao mesmo tempo mantendo sua identidade. Por um lado queriam melhores casas com telhado de aluminio e mais comunicação inclusive com acesso a internet, mas por outro falavam da importancia de continuar vivendo na aldeia coletivamente. Depois de ver indios em Alagoas e no Maranhão, percebemos que cada area indigena tem sua própria especificidade, com relações diferentes com a “sociedade branca”, sendo então dificil dizer e entender de uma maneira universal o que seja indio hoje no Brasil.

Jordão, Acre.

Jordão, Acre.

Jordão nos encantou. Suas lendas, seus indios contemporaneos, e pessoas amaveis e abertas nos fizeram sentir muito avontade e nos encheu de curiosidade e vontade de voltar. No dia seguinte partimos de volta para Rio Branco, para começar a jornada para nosso ultimo destino: Ipixuna, no Amazonas.

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A caminho de Jordão…

Dezembro 12, 2008

Hoje tentamos seguir nossa viagem para Jordão. Fomos ao aeroporto de Rio Branco e encontramos os outros passageiros que nos acompanhariam no vôo, dois indígenas e um estudante de medicina que faz seu curso na Bolívia. Daqui para a Bolívia é muito próximo, em torno de duas horas de carro. Pela manhã o taxista que nos levou ao aeroporto nos falou sobre o tráfico de drogas na região e citou que aqui é a porta de entrada de muita coisa que vem da Bolívia. No aeroporto o dia foi de espera… ficamos trocando de cadeira e comendo misto quente por 7 reais… um dos mais caros que já comi. Por aqui os preços são bem mais altos do que pelo restante das cidades que passamos. Nosso vôo estava previsto para as oito e meia, mas já passavam das onze horas quando a chuva apertou e até o boeing da Gol teve que retornar para Porto Velho devido à falta de condições para aterrizar (imagine nosso pequeno bimotor…) O piloto foi sensato, após várias tentativas sem sucesso de conseguir algum contato com Jordão, os telefones da cidade pifaram, abortamos a missão pois chegaríamos pela noite e na mata não há iluminação para o pouso… Bom, o dia de amanhã promete!